Tradições e maniçoba
   Mário  Lôbo  │     4 de novembro de 2016   │     16:55  │  0

Um dos mais famosos pratos da culinária da ManiçobaRegião Norte, a maniçoba tem origem indígena e parece, à primeira vista, uma feijoada. A lembrança se deve à utilização de carnes suínas no preparo e à coloração do prato. Mas existem diferenças significativas, iniciando pela composição. No lugar do feijão preto cozido, a maniçoba é uma iguaria feita com a folha de mandioca, descrita como maniva nos estados do Norte. Seu nome vem do tupi “mandi’sowa”, que significa folha da mandioca. Os primeiros registros dessa palavra remontam ao início do século XVII, época em que os indígenas eram submetidos à catequese dos jesuítas, que por sua vez experimentavam e difundiam os incomparáveis sabores da culinária nativa. Graças a essa apreciação, a maniçoba atravessou séculos e gerações e permanece até hoje como um prato especial e único, um dos patrimônios gastronômicos, afetivos e culturais do Norte. É também muito apreciada em regiões da Bahia e de Sergipe.

Seu preparo é lento. Sendo uma folha venenosa, é preciso algumas etapas e cuidado do cozinheiro para que o prato seja consumido. Primeiro, a folha é lavada e triturada ou moída e levada a uma panela com bastante água por no mínimo 7 dias. Esse processo serve para eliminar o ácido cianídrico presente na folha, até que a ela sejam acrescentados os outros ingredientes. Carnes suínas e bovinas são adicionadas ao caldo, que a essa altura já perdeu o verde original das folhas e ganhou tons enegrecidos. É importante frisar que uma maniçoba deve, de fato, assemelhar-se à feijoada; caso as folhas ainda estejam esverdeadas, é sinal de que o tempo de cozimento foi inferior a uma semana e, nesse caso, não é recomenda sua ingestão.
A maniçoba costuma ser servida acompanhada de arroz branco, farinha de mandioca e pimenta (e ainda com molho de tucupi com pimenta de cheiro). A maniçoba está para o Norte do País assim como o acarajé está para os baianos. É mais do que iguaria típica ou um prato marcante no cardápio regional. Sua existência cotidiana é sinal de orgulho da identidade da Região Norte.

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